Romeu e Julieta Caxinas

10/11/14 — Leave a comment

ACTO II. CENA II. Jardim do Capuleto.

Entra ROMEU

ROMEU — Que suave que é, a luz qu’aquela janela bota cá pra fora! Vai já numa selfe pro feisse. Ui, ficou brutal a foto, tás a brincar? A Julieta é tão linda… parece um sol. Levanta-te, solinho bom, e dá uma abada de luz à Tixa, a minha ex, que já está com dor de coto filha da puta, porque tu és mais bonita qu’ela! Num queiras ser amiga daquela aziada que num cabe nas calces e gosta de mostrar a perseguida! Ai, queria tanto que a Julieta soubesse o amor que tenho por ela. Os olhos dela são tão brilhantes que as duas estrelas mais brilhantes do céu foram substituí-los por serem tão brilhantes, tás a brincar maninho? Mas… ela tá-me a dizer qualquer coisa qu’eu num consigo perceber! Ai, qu’é dela? Foi pegar no telemóvel. Pera aí, tá-me a vibrar o cu. Tou!

JULIETA — Tou?

ROMEU — Ela fala! Fala mais p’ra mim, sardinhinha da minha broa, que voas pelo céu do meu mar!

JULIETA — Romeu, Romeu! Num tou a apanhar rede, Romeu! Tás m’ouvir? Vê se me entendes. Tens de cagar no nome do teu velhote… ou então, se num o fizeres, jura que me amas, e eu deixo de ser uma Capuleto e entrego-me a ti para sempre.

ROMEU — Num tou toubir! Fosga-se pá merda do telemóvel. Pera aí, vou subir à tua varanda que num t’ouço.

JULIETA — Só o teu nome é meu inimigo. Ca punha de nome, Montéquio! Qu’é essa merda? Num é mão, nem pé, nem braço, nem fronha, nem qualquer outra parte que pertença a um ome, entendes? Oh, se tivesses outro nome em antes…! Que mal tem um nome? Uma rosa pode ter outro nome e também cheirava docinho. Também tu cheiravas docinho, se num te chamasses Romeu. Fica com o perfeito que és sem esse nome! Bota-o para o passado, e depois sou toda tua.

ROMEU — Eu aquerdito-me em ti. Se deres p’ra mim o teu amor, eu deixo de ser Romeu para sempre. Vou-te ser sincero, eu odeio o meu nome porque é teu inimigo. Se tivesse sido eu a escrevê-lo, rasgava-o e botava-o fora. Ai nets. Logo. Tu sabes que sim. Eu, quando digo que faço e aconteço num estou a mandar postes de pescada para o ar, como há muitos aí.

JULIETA — Ai e como entrastes? Os muros são altos e dificiles de subir. E aqui é tão perigoso para ti! E se a minha família te vê?

ROMEU — Subi os muros com as asinhas que o amor me deu, e o escadote do meu cunhado. Li no feisse, escrito numa foto com um pôr-do-sol, que num há limites que o amor num consiga ultrapassar. O amor tira-me o medo, eles que nem venham que eu vou-me a eles.

JULIETA — Mas se fores apanhado matam-te!

ROMEU — Há mais perigo no teu olhar do que em vinte das naifas deles. O escurinho da noite ajuda-me a passar despercebido. E se num me amares, os ménes que me encontrem! Mais vale ser chinado pelo seu ódio, que viver sem o teu amor.

JULIETA — E como conseguistes dar com a minha casa?

ROMEU — Foi o amor que me ajudou! Ele me fez procurar, e me aconselhou e eu por ele vi… eu num tenho carta, mas pelo teu tesouro viajava se fosse perciso até à Senhora dos Navegantes.

JULIETA — Se tu me amas, diz-me de verdade. E se pensas que sou uma fácil, tu fala, que eu faço-me de difícil. Quero mostrar que sou de bem e num uma desembergonhada, mas num consigo porque te amo tanto e tanto que nem imagines ome! E tu sabes, Romeu, que eu te amo pa caralho, porque também viste no meu feisse no comentário que fiz na música do Zezé que postaste depois de ires buscar arsago para o quintal.

ROMEU — Eu juro-te, fofinha! Juro-te… uh… pela lua…

JULIETA — Num jures pela lua, aquela indecisa, que está sempre a mudar, a num ser que o teu amor por mim mude também.

ROMEU — Ai, então juro pelo quê?

JULIETA — Num jures por nada. Ou então jura por ti, que eu aquerdito.

ROMEU — Tasse. Coração, amor da minha vida—

JULIETA — Olha, caga para o juramento! Eu curto milhões de ti, mas num quero que façamos pormessas assim tão rápido, como o trovão que desaparece após brilhar. Vai agora! Este amor tem que ser como uma linda flor! Mais linda e frondosa de cada vez que te vejo. Bem, vou-me adoçar e entrar na caminha ca velhota tá a pé. Falamos por mensagem. Tens grátis para 91?

ROMEU — Sou ganza, claro. Mas… ai, que dizes, tchopa? Vais-me deixar assim, a olhar para o ar? Quero ouvir-te dizer que me amas e que queres namorar pa mim.

JULIETA — Eu disse que t’amava antes de me perguntares. Mas morzinho, se quiseres, eu digo outra vez. Eu amo-te muito. Jóiinha, amo-te um amor tão lindo, tão lindo, como o do André Sardet que vai até à lua e depois vem da lua até aqui. Punha de lindo, num é? O meu amor por ti é infinito como o horizonte e porfundo como o mar. Quanto mais amor te dou, mais amor eu tenho, porque são os dois infinitos, tás a ver?

ROMEU — Lindo, mor. Lindo. Até chorei, tás a brincar? És uma poeta. Vou apontar isso para depois tatuar no cu das costes.

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