Lãs, polaroids e pioneses

Atrapalhado, liguei a lanterna do telemóvel. A montanha das coisas olhou-me por entre o negrume. Torpe de sono, levantei-me enquanto o cérebro fazia reboot. Teria sonhado? Tropecei numa estante desmontada, desabei uma montanha de roupa e disse mal da minha vida duas vezes.

“Não deve ter sido nada”, fiz-me pensar, “provavelmente um barulho do exterior, talvez um empurrão do vento nos estores. Por outro lado, também pode ser um serial killer.”

Naquele janeiro sádico, era o vale tudo. Nunca fiando, manquei até ao corredor.

“Quem está aí?”, disse para o espaço. Ouviram-me as portas, as chaves novas ali penduradas, a tinta recentemente aplicada, uma caixa de arrumos ao longe. Ninguém me respondeu. Satisfeito com a minha capacidade de resolver a questão, voltei para o quarto para me mumificar nos cobertores.

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