Luz credo!

Ontem estava no escritório a escrever o meu texto para este blog quando ouvi o apito das nossas UPS (para quem não conhece, umas baterias grandes para proteger o equipamento informático de picos ou quedas de corrente). Fui até ao quadro perceber se este tinha disparado, mas vi os disjuntores todos em cima, e o ecrã de cristais líquidos desligado — o corte era geral. Ainda assim, não lhe dei muita importância. Às vezes a luz ia abaixo, era uma questão de minutos até voltar a funcionar. Voltei ao computador e continuei a trabalhar, depois de desligar a baía de discos rígidos, que ligara para escolher uma boa imagem para o meu texto. Já ia com ele bem adiantado quando a Mari veio ter comigo e me disse que Portugal, Espanha e mais países estavam sem luz.

Depois de carregar um pouco o meu telemóvel na minha UPS, desligámos as duas e aos computadores para poupar bateria. Pusemos os telemóveis em modo de poupança, com o Wi-Fi e Bluetooth desligados. Ainda tinha dados da Internet, que usei para ler na app do Público que também havia problemas em países como a França, Bélgica, Países Baixos e Reino Unido, e que as falhas estavam a afectar as comunicações. Ora, já todos sabemos que a luz foi restabelecida ao fim do dia de ontem (dia 28 de abril de 25), mas o exercício de 10 horas sem luz foi um bom abre-olhos para nos precavermos para situações futuras.

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Domingo de Páscoa

A primeira cafeteira borbulhou logo pela manhã. Duas fatias de pão afundaram na torradeira, dourando no tempo que levou ao comedouro do cão para se encher e esvaziar. Uma chama aqueceu o ar entre as pedras da cozinha antiga. Abriram-se as portas do armário da sala, banhando de luz as louças de festa. Um a um, os pratos do serviço alinharam-se na mesa, quais casas delimitadas por cercas de talheres. Quando o forno ligou a luz, choveu sal sobre a travessa das batatas. Pela casa viajaram porções de vinho em veículos de vidro.

A segunda cafeteira borbulhou uma hora depois da primeira. Quando um sino perambulante se ouviu pela vizinhança, formou-se um montículo de pétalas de rosa em frente ao portão. O sino foi tocando mais e mais perto, até que cruzou aquele mesmo portão, ladeado de uma cruz e água benta. O piano e o saxofone harmonizaram a mesma música várias vezes consecutivas. Não relacionado, um buzinar de fora chamou a atenção para a chegada de um carro. Abriu-se o portão, e a trela do cão tornou-se uma linha recta, apontando à suas portas. Pelas escadas, subiram caixas de cartão com bolos e comidas; bolsas e casacos taparam bancos e cadeiras. A trela enrijeceu novamente, apontando para novos carros, e depois voltou a deitar-se no chão, pacífica como um cordeiro.

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A ida à Expo’98

Há algumas exposições mundiais que me vão surgindo através das leituras e filmes, de momentos históricos ou de fascínio por parte dos autores.

O livro Empires of Light, sobre a batalha entre a corrente alternada e directa (que agora pode ser vista num filme muito bom, chamado “A Batalha das Correntes”) culmina num evento épico: a feira mundial de Chicago, que teve lugar em 1893 e celebrou o 400º aniversário da chegada de Colombo às Américas. Entre inúmeras exposições de diferentes países a celebrar os avanços da tecnologia, figurava a roda-gigante original (a Ferris Wheel) e a revolucionária tecnologia da luz eléctrica em larga escala. 100 mil lâmpadas incandescentes iluminavam os seus edifícios e acessos, numa prova da capacidade da corrente alternada e do progresso da técnica.

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