Ando destreinado em conversas de elevador, fruto talvez de não ser utilizador habitual desses engenhos. A verdade é que tenho cada vez menos paciência para navegar nas convenções sociais, e por mais que o meu apreço pelas pessoas esteja lá, dou por mim a usar os truques do costume para me livrar das conversas o quanto antes. Após a menção ao estado do tempo, invariavelmente dou um update sobre as nossas galinhas, mas isto é em si um desafio.
Não posso distrair-me dos sinais do meu interlocutor, mesmo que tenha sido ele a perguntar por elas. Até que ponto está engajado na conversa? O olhar corresponde às palavras? Já se terá arrependido de puxar o assunto? O problema aqui é de eu falar demasiado, o que é absolutamente um risco nos temas que me interessam. Temo já ser “o das galinhas” para algumas pessoas, o que não tem mal nenhum, excepto quando sinto que me estão a dar corda.
A solução é fácil, e passa por deixar o pessoal falar de si e entre si. Após falar sobre mim o minimamente aceitável, sou hábil em passar a bola para os outros, e em 99% das situações isto remata o problema. A minha ineptitude em manter uma conversa é inversamente proporcional à minha aptidão em ser um editor de vídeo social.
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