Livros e cães

Sua Inutilidade, o excelentíssimo príncipe dos Mesquitas, sempre em horário de experiente, imitava a esfinge de Gizé por entre as raízes da mesa e pilhas de livros por arrumar. Estávamos a reorganizar a estante da sala. Nós. O cão nem por isso.

Envolvido até ao ponto que conseguia, olhava-nos com a habitual expressão de quem está a ver o telejornal em russo. Por maior que fosse o seu esforço para compreender e ajudar-nos, contribuía pouco mais que zero. Livros e cães são — como dizê-lo? — profundamente, irremediavelmente incompatíveis. Há toda uma realidade de compreensão que os separa. Independentemente do quanto gostemos de cada um e desfrutemos da companhia de ambos, não há ali qualquer margem para reconciliação.

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Subversão subvertida

O Director-Geral da Dissuasão Passiva rebolou pelo escritório adentro, quase provocando um ataque cardíaco ao Barbosa – o que em si é uma contradição da ordem natural das coisas. À quantidade de fumo que submetia os seus pulmões, de álcool em que se embebia e de lances de escadas a que se esquivava, dizia-se que o Director-Geral, certeiramente alcunhado de “Kaput”, andava a dever alguns anos ao fisco da saúde, e provocar uma coisinha má nos outros já era esfregar offshores na cara do povo.

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