Bom dia, Carol

A primeira coisa que fazemos de manhã é ligar o aquecedor do escritório. Depois, pomos a água a aquecer na cozinha. Enquanto isto, há tempo para calçar as galochas e ir abrir as galinhas que, já bem acordadas, desatam a correr pelo quintal. Preparar a cafeteira com água quente corta um bom tempo ao café, que não tarda a subir. Na gélida cozinha de pedra, o aquecedor a gás demora segundos para funcionar em pleno. Leio notícias com a ponta do indicador. Conversamos. Pouco depois, são 9 e tal e estou ao computador, de óculos, cachecol e gorro, pronto para trabalhar (mas provavelmente não vou fazê-lo já). 

Os dias não são todos iguais, mas na maioria seguem esta receita. A diferença está nos pormenores, e na quantidade de roupa em que nos embrulhamos. À medida que o tempo vai aquecendo, os aquecedores funcionam cada vez menos, e é mais fácil para mim concentrar-me. Ao almoço e ao lavar da louça, ouço as notícias no meu telemóvel. Raramente são boas.

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Ardil 22

O jardim amanhece sob uma fina camada de gelo. Dias frios como hoje são sempre uma prova de perseverança. O ano começa com ruídos de guerra e de instabilidade, a preencher os silêncios com uma nova dose de inquietações. Removi as redes sociais do telemóvel, protegendo-me um pouco do ruído incessante.

Antes que se preocupem, está tudo bem connosco! Esta pequena sombra é temporária, como todas as que a antecederam. As festas na companhia dos familiares e amigos trouxeram-nos o ânimo necessário para aguentar as noites compridas, os trabalhos mais complicados, os dedos dormentes e o caminho gélido para abrir e fechar a nossa querida trupe de galinhas.

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