Viagem ao Win’98

Hoje proponho fazermos uma viagem no tempo no mundo da informática.

A partir de 1998, o meu tio João, que era professor de electrotecnia, experimentou fazer uns programas com o Visual Basic 4. Eram programas interactivos, que ele programava nos seus tempos livres para leccionar electricidade e sistemas digitais. Alguns exemplos:

Figuras de Lissajous
Mapa de Karnaugh
Osciloscópio
A pasta completa de programas do meu tio.

Tanto quanto sei, ele aprendeu a fazê-los através da documentação disponível no CD-ROM do Visual Basic, que era bastante exaustiva.

O meu tio.

Desde os anos 2000 os programas nunca mais foram abertos. Parece-me que são impossíveis de abrir nos softwares actuais. Para os poder executar, precisamos de usar um computador com o Windows ’98 instalado, ou então usar uma máquina virtual com o Windows ’98 para o efeito, isto é, correr um sistema operativo dentro de outro.

Como funciona uma máquina virtual? É um computador simulado por outro computador. Na minha máquina actual, um programa “simula” o ambiente de um computador da altura, com o seu processador próprio, o seu disco rígido (pasmem-se, com 2GB), a sua memória, e os seus periféricos. A forma que eu tenho de introduzir ficheiros modernos neste sistema é a de “inserir” discos na máquina virtual, como por exemplo, o disco de instalação do Windows ’98.

O meu objectivo é simples: quero revisitar um programa dele do qual eu e os meus irmãos gostávamos muito.

O programa “Provérbios” do meu tio.
O meu irmão Pedro a abrir o “Provérbios”.
O jogo funcionava como o jogo do enforcado, mas com um provérbio que tínhamos de adivinhar, letra a letra. Ao fundo do ecrã, uma coruja faz-nos companhia. Se passarmos muito tempo sem fazer nada, a coruja começa a dormir.

Vamos lá abrir o Provérbios? Para começar, temos de instalar o Windows ’98.

Introduzi o disco do Windows’98 em português, e iniciei o programa de configuração.
Como a máquina ainda contém um disco em branco, o Windows 98 precisa de prepará-lo para poder copiar os seus ficheiros.
A formatar o disco!
O Windows começa a ganhar forma. Já podemos ver o programa de configuração.
Já só faltam 38 minutos.
Do ’95 para o ’98 houve muitas melhorias. Infelizmente já não me recordo de nenhuma.
Ok, acho que assim está óptimo.
E pronto!
Que saudades do tempo em que o Windows não era uma confusão. Não havia AI metido em todos os programas, não havia subscrições, não forçava ao uso de uma conta Microsoft para usar o sistema operativo, e não enfiava tudo isto (mais publicidade) pela goela abaixo do utilizador. O Windows 11 tem estado debaixo de fogo por ser um lamaçal.
Não podia deixar de abrir o Paint, que acho que foi a minha primeira experiência com um computador. Foi no computador do meu tio-avô Berto (que deve ter gasto uma pipa de massa ao imprimir o meu desenho a cores).
Vamos lá instalar o Visual Basic.
99% dele era demasiado complexo para mim.
Com o Visual Basic instalado, é hora de abrir o Provérbios!
Funciona perfeitamente. Note-se a escola do meu tio no rodapé.
O programa abre com uma folha a cair no meio do ecrã, enquanto dezenas de provérbios vão trocando aleatoriamente em seu redor.
Por fim, um provérbio é escolhido para nos dar as boas-vindas.
E estamos a jogar! Qual será o provérbio? A coruja já está sonolenta…
Hmmm…
Seis letras depois, acho que já dá para ter uma ideia do provérbio, não?
À 13ª letra, ele indica-nos que é o momento de tentar adivinhar. A coruja arregalou os olhos, curiosa para saber se somos tão estúpidos como parecemos.
Ainda tentei mais duas letras, e ele penalizou-me a pontuação por isso. Só agora consegui perceber qual era o provérbio.

Depois, aproveitei para matar saudades dos programas que eu próprio programei, com a ajuda e os ensinamentos do meu tio.

O primeiro de todos foi o “Código Muito Difícil”!
Mas este foi o maior e o mais espectacular de todos. Chamei-lhe “Winkid”, porque era o Windows para kids…
O autor já gostava de escrever sobre si.
Está visto que sim.

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