Conto

São Pedro

No calor intenso daquela cozinha, Júlio respirava com dificuldade. Mais por capricho do patrão que por outra coisa, calhava-lhe sempre a preparação das batatas, o empratamento, e a fritadeira. Naquela agitadíssima noite da Póvoa de Varzim, as horas de um turno parecem infinitas. Nem todas as noites são o São Pedro, mas todas as outras juntas cansam igual. Com o barrete encharcado de suor, procurava estar acima dos gritos, do chocar doloroso das louças, do calor do óleo que manuseava para fritar batatas – e do pouquíssimo tempo que dormira na véspera.

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